Quem nasceu a partir da década de 1930 nos grandes Centros talvez não saiba o que é isso. Talvez não se dê conta de sua importância. Talvez não repare na diferença que ela faz. Em tempos de proteção de gargantas e de busca por uma vida mais natural, talvez não tenha consciência da geladeira. Do que é beber uma água gelada. Mas Ana o sabe.
Quando lembra de sua terra, sente vontade de comer manga tirada do pé. Em temperatura ambiente. Recorda de quando subia no pé de açaí -- que parece, segundo ela, com as palmeiras imperiais do Jardim Botânico -- para comer a fruta com farinha. Em temperatura ambiente.
Lembra dos banhos no rio. A céu aberto, com luz do sol ou da lua. Vem à memória as noites dormidas em redes penduradas nos quartos, no lugar de camas. Sempre em temperatura ambiente.
Tudo isso traz saudades. Tem vontade de reviver esses momentos. Mas Ana não sabe mais beber água que não seja gelada.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
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